Esses dias uma leitora comentou num post se realmente tinha que haver festa de casamento e se não havia uma outra forma de comemorar, como uma viagem, por exemplo. Eu sou da opinião que a união de um casal deve ser comemorada do jeito deles, da forma como eles querem, com aquilo que vai ser incrível e inesquecível para eles. Eu sempre quis casar na igreja, com festão, família reunida, todo mundo subindo no palco, momento vergonha alheia e tudo mais. E foi a coisa mais especial do mundo porque a gente quis assim, porque eu, noiva neurótica a gente sonhava com isso. Minha irmã, por exemplo, não casou na igreja e não é nem um pouco menos feliz por isso. Tenho uma amiga que juntou durante um ano dinheiro com o noivo para fazerem uma viagem pela Europa e foram só os dois, depois de uma cerimônia simples e cheia de significado no civil, curtir a lua de mel prolongada. Segundo ela, eles preferiram gastar com eles, e não com os outros, e a viagem foi pra lá de especial. Quanto a ficar chato, eu sou da opinião que a gente não deve fazer nada (muito menos gastar muito dinheiro em uma festa) simplesmente para agradar os outros. Acho que a comemoração do casamento tem que ser, antes de qualquer coisa, do casal, e não para agradar a família ou os amigos. Eu endosso que a comemoração tem que ser aquilo que vocês querem, seja um almoço em casa depois da cerimônia civil, uma viagem, trocar a festa pelo apê novo e fazer o festão quando der, um mini wedding ou uma festa de arromba. O importante é você e seu noivo estarem juntos, felizes e querendo compartilhar a vida, formar uma família, unir as escovas de dente. É clichê sim, mas o que importa mesmo é o amor que vocês tem, e quem tem amor, tem tudo né, gente!?
Não tem coisa mais estressante no mundo do que estar envolvida com tanta coisa bonita, convites, bolos, flores e vestidos de noiva e no meio de tudo isso ter que falar de reforma, de sujeira, de argamassa, de pedreiro, de organizar tudo isso e ainda fazer um super rebolation no orçamento. Diferente do que muita gente pensa, ser noiva não é fácil, meu povo!
Lidar com a arrumação da casa nova, seja em qualquer nível, no meio de todos os preparativos do casamento, cansa e estressa demais a gente. No nosso caso, precisávamos expulsar a inquilina que estava no nosso apartamento, esperar a boneca sair e aí então começar a reforma.
A reforma que fizemos foi pequena, mas mesmo assim, como isso consome! Precisávamos colocar tomadas, pintar todo o apartamento, instalar ar-condicionado, e reformar a cozinha e o banheiro por completo… descobri um mundo todo novo, gente! Comprar azulejo, pia, torneiras, mil visitas à empresa que faria os móveis planejados e muitas, muitas horas esperando pedreiro, encanador, pintor, o cara que instalava o ar, o cara que entregaria os móveis, o que instalaria… fora que essas pessoas nunca chegam no horário combinado ou não vão sem ao menos te avisar. Isso tudo com o Diogo trabalhando o dia inteiro e eu cuidando de todo o casamento, terminando o curso de consultoria, trabalhando e escrevendo o blog. Com tudo isso acontecendo, a gente tem que ter alguns recados mentais para não enlouquecer, e conto aqui pra vocês aqueles que realmente me ajudaram:
- Converse muito com o noivo: a festa de casamento é território da noiva, não adianta. É lógico que fazemos algo que seja do estilo do casal, mas vocês vão concordar comigo que a maior parte das decisões ‘mulherzinha’ é coisa nossa… cor da fita do bem-casado, as cores das toalhas, o tipo de flor. Agora, quando a gente entra na casa, o noivo começa a participar bem mais, e para evitar conflitos, é bom que vocês conversem muito sobre os gostos de cada um, as necessidades, as coisas que adoraria ter em casa. É o primeiro espaço em comum que vocês vão ter, e na casa de nossos pais, impera o gosto deles, não os nossos, então é preciso ter cuidado para não querer fazer tudo o que você sempre quis só porque finalmente você é dona do seu espaço, porque este espaço será dividido com alguém muito importante. O mesmo vale para os meninos, que querem gastar todo o orçamento em coisas super high-tech, enquanto precisamos montar cozinha, banheiro, sala…
- Aprenda a delegar: todas as pessoas que te amam, mãe, pai, sogra, tios e irmãos estão dispostos a ajudar, eles só precisam que você permita. Eu digo isso porque delegar, para mim, é uma coisa bem difícil. Eu sou extremamente centralizadora e queria estar em tudo o tempo todo, mas não dá! E eu só consegui enxergar isso quando já estava super cansada e estressada. Por isso eu digo pra você pedir ajuda. Combinamos que eu coordenaria o casamento e o Diogo coordenaria a reforma, e combinávamos a questão dos horários, já que os meus eram bem flexíveis e os dele mais rígidos. Com isso, eu tirei um peso enorme das costas, ainda que tenha me envolvido bastante.
- Escreva: antes de dormir, anote na agenda ou no celular tudo aquilo que você tem pra fazer no dia seguinte. Vale tudo: manicure, buscar tecido, falar com a cerimonial, etc. Anote tudo e entregue pra Deus. Nada de ficar repassando aquela lista mentalmente duas mil vezes até ser vencida pelo cansaço e pegar no sono. Com tudo anotado, não tem como esquecer de nada. Com a cabeça cansada, tem!
- Orçamento: além do orçamento do casório, façam um orçamento super detalhado com todas as despesas que vocês imaginam ter para reformar, montar ou mobiliar o apartamento, independente do plano de vocês. Orçamento é uma coisa do mal, e qualquer coisa de construção sempre, mas sempre sai fora do previsto.
- Tenha sonhos realistas: sempre que eu via alguma coisa que eu amava muito, mas muito mesmo e que custava cem vezes o que eu podia pagar, eu pensava em como foi o casamento dos meus pais. Na época, eles só tinham amor. Só! Não tinham dinheiro pra praticamente nada e construíram tudo juntos, com trabalho e dedicação. Quando fazia essa comparação, eu via como eu estava sendo ingrata com tudo que tinha, pois estávamos entrando num apartamento que já era nosso, com tudo programado e tudo bonitinho, arrumado exatamente como a gente queria, preparando um festão e com uma lua de mel dos sonhos agendada.
- O ótimo é inimigo do bom: essa é uma frase que meu marido me falou um dia e eu nunca vou esquecer, serve pra tudo nessa vida. Sabe aquela vontade de viver o conto de fadas completo, chegar em casa com tudo pronto, arrumadinho, limpinho, geladeira cheia e, de preferência, uma empregada? Pois é, nem sempre acontece. Eu dei algumas boas surtadas pensando que o apartamento não ficaria 100% antes da lua de mel e no final das contas, me conformei que, do jeito que chegássemos nele, ele seria o lugar mais especial do mundo. E a prioridade eram os preparativos do casamento, pois esse sim, tinha data para acontecer e depois não daria tempo pra arrumar nada, então eu parei de encanar com as coisas que faltavam para o apartamento e relaxei. Fiquei com o bom, e para mim, ele foi perfeito! A parte mais importante estava pronta, que era a reforma em si. Não queria dar de cara com mais nenhum estranho aqui dentro do apartamento, mas ainda faltavam o sofá, a cristaleira, os móveis, os espelhos, a instalação da internet e da tv a cabo… e isso, no final das contas, vira história para contar. Nunca vou esquecer de colocar a lente de contato e me maquiar na frente do microondas porque os espelhos da casa não tinham chegado ainda. No final das contas, querer que tudo, tuuuudo esteja prontíssimo na data e hora que você quer, só traz dor de cabeça!
Uma festa de casamento bonita, dentro do orçamento e que seja bem do seu jeitinho exige boas escolhas. E boas escolhas não são exatamente fáceis de se fazer, e sei muito bem como noiva surta com a quantidade de coisas para decidir e, especialmente, com ofertas super sedutoras vindo de tudo que é canto. Eu sei que a gente fica bastante sensível na hora dos preparativos e isso acaba nos tornando super vulneráveis! A gente ama todo mundo, todo mundo é legal, mas não dá para contratar todo mundo… então eu resolvi te dar algumas dicas que vão te ajudar a declinar uma proposta e pensar mais em você e na sua saúde, porque só noiva sabe como esse tipo de coisa estressa a gente!
- Não entre na onda do fornecedor que insiste, que faz aquele jogo clássico que tem duas, três, cinco noivas querendo a sua data. Esse truque é velho e, sinceramente, eu ainda não sei como as pessoas têm coragem de usar esse argumento ainda. Esse tipo de fornecedor, pra mim, já perde um pouco de credibilidade. A pessoa que precisa insistir demais para você comprar o serviço dela é aquela que não se garante com o seu próprio produto. Resumindo: não se desespere e muito menos se sinta pressionada a fechar. Isso aconteceu muito comigo e eu sempre dizia que ia analisar tudo com meu noivo e dar uma resposta quando tivéssemos batido o martelo. Vocês não tem idéia de quantos retornos eu recebi dizendo que tooodas aquelas noivas tinham desistido e a minha data ainda estava vaga. Seja educada e faça o que eu fiz. Se não rolar, não rolou!
- Seja sempre sincera com você mesma, respeite seu estilo e, principalmente, o seu bolso. Nada de fazer uma loucura para contratar tal fornecedor só porque ele é top e você cismou que você o quer na sua festa. Eu também cismei com um monte de gente, mas nós temos prioridades e precisamos encontrar algo mais em conta. Fale com esse fornecedor e diga que, infelizmente, você não poderá contratá-lo porque ficou fora do que você pode pagar. Vergonha? De quê? Ele vai te achar pobre? Gente, bem menos! Seu casamento não será mais bonito ou menos bonito porque fulana não vai fazer parte da sua festa. Seu casamento será bonito se houver emoção, música, comida e bebida gelada, tá? É isso que o povo quer!
- Negocie sempre e muito! Aceitar uma proposta sem analisar timtim por timtim é coisa de gente que não ama o seu dinheiro. Você deve exigir que qualquer profissional justifique centavo por centavo o que ele quer te cobrar, e isso não é vergonha pra ninguém, viu? E nem é pra fornecedor ficar brabo, ofendido. Isso é normal! Eu faço isso na minha profissão, justifico cada etapa do meu trabalho com o maior prazer, onde está a ofensa em um potencial cliente te pedir isso? Se você fica sem graça, leve o noivo, a mãe, o pai, a sogra ou outra pessoa que te ame e que compre a briga por você. E quando eu falo negociar não é apenas pedir desconto. É montar um pacote especial para você, é facilitar a forma de pagamento e, por que não, um bom desconto se o pagamento for feito à vista?
- O fornecedor não é seu amigo, ele não está te dando um presente nem muito menos vai trabalhar de graça na sua festa. É claro que criamos uma relação mais próxima com muitos deles, até pelo tempo que passamos discutindo ideias e imaginando o dia mais especial da sua vida, mas lembre-se de que é uma relação profissional. Não precisa ter medo de dizer para um fornecedor que você não vai contratar os serviços dele. Acho muito elegante, aí sim, ligar ou escrever um email agradecendo a atenção e dizendo que você optou por outra pessoa. E não precisa dar explicação não, viu? Nem dizer quem você contratou, nem nada. A não ser que você queria, que se sinta à vontade. Comigo aconteceu de mandar email agradecendo, super educada, e a pessoa me ligar bem grosseira, ofendida por não ter sido contratada. Dá um tempo, né, povo! Estar no mercado é isso e concorrência é saudável! Se isso acontecer, agradeça novamente, diga que não pode se estender e procure desligar, nada de estender o papo se ele não for muito agradável, poupe suas energias!
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